<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8252844310019370044</id><updated>2011-08-23T09:07:32.862-07:00</updated><title type='text'>.in-ex.</title><subtitle type='html'>textos meus e ilustrações do Chris Borges.
Ele gosta de ilustrar o que escrevo, e gosto de escrever sobre alguns desenhos dele. Então...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://panoptico-in.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8252844310019370044/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panoptico-in.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Thalita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06583728934292423107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SmPhSkGMkuI/AAAAAAAAAAg/m9hfXZDVOmg/S220/OgAAAAV0a0QlQ5qQFBfn-lVYpnjLPBUn1DBn9enRyHN_cz4k9pbscylqqMjSxyIechuhGR83FrP9PPIc-UHTp4uF_1YAm1T1UCQwtvgcD1yMLi1xOLdYbBAXVLC8.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>7</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8252844310019370044.post-8823154631850838189</id><published>2010-10-06T11:12:00.000-07:00</published><updated>2010-10-06T11:24:20.752-07:00</updated><title type='text'>Dia das Crianças</title><content type='html'>Um texto meu bem antigo. Antigão mesmo... Mas ainda bem atual. Espero que seja sempre atual - para mim, pelo menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Porque tudo era mágico, belo e azul. Às vezes tinha sangue, e gritos nao eram tão mágicos, mas, instantes depois, nada mais existia do que mais uma bela cor: a vermelha. Tudo era, não era, tornava a ser e desaparecia. Como nuvens ou borboletas. Ou, como você pode compreender hoje, como sonhos e esperanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chuvas eram encantadoras, nuvens eram imensos algodões-doce, vagalumes eram duendes. No meu mar haviam jacarés, e morcegos eram aves da lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ríamos e inventávamos o cômico nas coisas. Tive amigos de formas diferentes, alguns com partes animais, outros de cores transparentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu guiei Alice e tirei pulgas do Gato de Botas. Chutei a Bruxa do Norte e duelei com Dom Quixote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, o Dydimus era um verdadeiro príncipe encantado e o Ludo era um cara de bom coração. Eu realmente queria que Sarah e Jareth ficassem juntos, no Labirinto, mas ela voltou... Como Dorothy, elas sempre voltam... Não compreendia, e ainda não compreendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peter me mostrou coisas interessantes... Pude conhecer muitas coisas com ele, e ainda ouço um eco distante de sua voz dizendo “you can fly!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia voar, nas asas do Thorondor, nas costas do Dragão da Sorte, em imensos balões sobre campos e montanhas. Balões coloridos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, o tempo perde sua magia, e os anos nos roubam naturalmente alguns bens – os mais importantes. E para aqueles que percorreram muitos e muitos anos, aqueles que viveram e seguiram suas estradas que não são de tijolos amarelos, a chuva torna-se uma maldição. As nuvens são algo terrível no céu. Vagalumes, insetos estúpidos. Sinto em lhe informar, mas não há jacarés no mar, criança. E morcegos são mamíferos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há Alice, há um cara chamado Carrol. Aquele cara mágico é um produto da mente de Frank Baum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dydimus é apenas um cachorro de borracha, plástico e materiais para se compor uma criatura de cinema. O camarada Pan é um cara grande, possivelmente de gravatas (gravatas!), conhecido como Barrie. E Tolkien um lunático, do pior tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é como se eu estivesse seguindo uma estrada para Mordor. Como Frodo seguiu. Como um senhor de sobrenome Tolkien escreveu que ele seguiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não há um anel. Não há Sam e algo para ser salvo. Apenas uma estrada crua, infértil. Com destino que bem conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cores tornam-se ilusões de cores. Imaginação, um raciocínio lógico. E os anos não param, pois são braços do Tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há o eco. A cada noite, aquela voz chega-me, como um sussurro e por vezes como um grito desesperado. De lá ele grita, pois os braços do tempo não alcançam seu reino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-“YOU... CAN... FLY!!! Porra, Th, você pode voar!!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essa voz que me alcança no meio de sonhos ou no portal para estes, criou em mim uma dimensão atemporal, e os anos não corrompem aqueles que não se deixam corromper. Aqueles que preservam em si a forma, voz e sentimento daqueles que o ensinaram em algum lugar do passado. Para sempre, em qualquer uma de nossas realidades, pois mesmo que quando acordemos o dia seja cinza e nossas horas marcadas por obrigações e responsabilidades, o Senhor dos Sonhos nos permitirá encontrar nossos velhos e coloridos amigos em seu reino. O Sonho agrada aqueles que não se esquecem do que são em sua essência, aqueles que lembram e se lembrarão até chegarem àquele velho túnel. E então, algo que nunca existiu, existirá. Até tudo voltar a ser cores, algodões-doces, borboletas e um mistério a ser descoberto em cada partícula mágica de poeira no ar.&lt;br /&gt;__________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia para se lembrar de que este dia, pode ser todos os dias.&lt;br /&gt;Parabéns aqueles que ainda se lembram.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8252844310019370044-8823154631850838189?l=panoptico-in.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panoptico-in.blogspot.com/feeds/8823154631850838189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8252844310019370044&amp;postID=8823154631850838189&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8252844310019370044/posts/default/8823154631850838189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8252844310019370044/posts/default/8823154631850838189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panoptico-in.blogspot.com/index.html#8823154631850838189' title='Dia das Crianças'/><author><name>Thalita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06583728934292423107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SmPhSkGMkuI/AAAAAAAAAAg/m9hfXZDVOmg/S220/OgAAAAV0a0QlQ5qQFBfn-lVYpnjLPBUn1DBn9enRyHN_cz4k9pbscylqqMjSxyIechuhGR83FrP9PPIc-UHTp4uF_1YAm1T1UCQwtvgcD1yMLi1xOLdYbBAXVLC8.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8252844310019370044.post-6513095245081837008</id><published>2010-06-09T10:07:00.000-07:00</published><updated>2010-06-09T10:09:45.124-07:00</updated><title type='text'>ASAPaputaquepariu</title><content type='html'>Pior do que publicitário histérico, é publicitário histericamente viado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você fica até às quatro da manhã tentando fazer o super-insight genial que ele teve virar real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você precisa:&lt;br /&gt;- ter paciência;&lt;br /&gt;- ser ator;&lt;br /&gt;- pensar como um publicitário;&lt;br /&gt;- pensar como um publicitário desesperado;&lt;br /&gt;- pensar como um viado publicitário desesperado;&lt;br /&gt;- não vomitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, tudo isso com base nos telefonemas de briefing com durações superiores à sessenta minutos. Eles são pagos para fazer seus cérebros criarem idéias. Sacadas. Grandiosidades.&lt;br /&gt;E esperam que sua mão seja a ferramenta. Esperam que você seja uma máquina telepata de reprodução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você produz o oitavo insight genial que ele teve, sobre um mesmo tema. Ele liga. Ele fala:&lt;br /&gt;Oi. Um oi prolongado, tipo um “oiiiii”. Ele continua: Ahh, você não a-cre-di-ta! Após um big-brainstorm por aqui, percebemos que o job poderia ter algumas alterações sutis.&lt;br /&gt;E então ele explica. Ele fala. Você se segura. Não pode xingar. Um, dois, três, quatro, cinco. Meia hora depois, ele explica a sutil alteração. Oitocentos e quarenta e seis. Como explicar pra bicha que ilustração não é 3d? Como explicar que a sutil viadisse que ele precisa significa refazer um trabalho inteiro que, por sinal, implicaria em no mínimo cinco dias? O cara precisa da sutil alteração o quanto antes. Você ouve um ruído que ele soltou, algo como Asap. Que porra seria isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ele discursa belamente sua nova e magnífica idéia, você se contorce de raiva. Ele vai falando, e fala. Fala. Fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você responde “hmm, sei”. Sei. Sei que uma .38 mata. Faca também, você pensa.&lt;br /&gt;Você esboça a idéia do gênio. De má vontade, porque sabe que em menos de 24 horas a bicha vai estar mais iluminada, com uma nova idéia sen-sa-ci-o-nal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você conta até duzetos e sete. Você está ali, até às 4 da manhã, trabalhando as sacadas do cara. A nona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você se permite dormir. E o viado te acorda às 9 da manhã com um novo telefonema. Seu cérebro está lento, sua voz está rouca e mole, seu humor é dos piores. Ele está uma criatura pululante do outro lado da linha: rápido, enérgico e com um vocabulário estranho.&lt;br /&gt;E escuta algo como: job, target, recall, cash, deadline, line isso, line aquilo. Tem a impressão de ter escutado “fashion”, mas não tem certeza.&lt;br /&gt;Você não entende nada, concorda com “ahams”, com “hmms” e só quer voltar a dormir.&lt;br /&gt;Ele fala, fala, fala. Alto. Viadinho. Moderninho. Publicitário. Um puta otário, isso sim.&lt;br /&gt;Você desliga o celular. Só quer dormir. Depois manda um e-mail falando que a bateria acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, acorda, liga o celular e vai mandar o e-mail para o cara. Ele já te mandou mais três. Com sono e, muito, muito esforço, você lê, acende um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de enviar sua resposta ao imbecil, chega uma nova mensagem dele. Mal começa a ler, o telefone toca novamente.&lt;br /&gt;Bom, o que vem em seguida é o de sempre. Algo como “job cancelado, job cancelado!”. Culpa do cliente, sempre do cliente. Ele fala “sorry”. É, “s-o-r-r-y”. Porra. Você não sabe se grita de alegria ou de raiva pela notícia. Prefere não gritar, pois gritar te lembra do publicitário histérico. Voz mole e tal.&lt;br /&gt;Lembra que o cara te falou de mais trabalhos em breve, outros projetos. Você aproveita o momento para respirar fundo, se sentir bem. Dormir até o dia seguinte. E faz.&lt;br /&gt;O telefone toca. Às nove horas, por sinal. “Oiiiiiiii! Lembra daquele super-job que te falei? Vai rolar! Já temos o deadline, o budget, target e teaser já definidos, tudo pronto. Vou te passar o briefing com os insights que tive para esse job, está quase tudo definido, mas vamos nos acertando sobre o briefing durante o job, pois o cliente quer isso ASAP!”.&lt;br /&gt;Você tenta não ter um xilique, não pular da janela do apartamento.&lt;br /&gt;Você responde “uhum...claro...”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8252844310019370044-6513095245081837008?l=panoptico-in.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panoptico-in.blogspot.com/feeds/6513095245081837008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8252844310019370044&amp;postID=6513095245081837008&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8252844310019370044/posts/default/6513095245081837008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8252844310019370044/posts/default/6513095245081837008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panoptico-in.blogspot.com/index.html#6513095245081837008' title='ASAPaputaquepariu'/><author><name>Thalita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06583728934292423107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SmPhSkGMkuI/AAAAAAAAAAg/m9hfXZDVOmg/S220/OgAAAAV0a0QlQ5qQFBfn-lVYpnjLPBUn1DBn9enRyHN_cz4k9pbscylqqMjSxyIechuhGR83FrP9PPIc-UHTp4uF_1YAm1T1UCQwtvgcD1yMLi1xOLdYbBAXVLC8.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8252844310019370044.post-7840678171904029701</id><published>2010-04-11T17:48:00.000-07:00</published><updated>2010-04-11T18:05:35.426-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/S8JwSyKGA0I/AAAAAAAAAIs/imwmNK-svCM/s1600/dr.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 290px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5459049166330528578" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/S8JwSyKGA0I/AAAAAAAAAIs/imwmNK-svCM/s400/dr.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o saco plástico envolvendo sua cabeça, ele começou a contar. Logo, teria sua resposta. E esperava que fosse silenciosa, translúcida e libertadora.&lt;br /&gt;Até dezessete, parecia determinado. Iria conseguir, ele sabia. Dessa vez conseguiria. Aos vinte e oito, seu cronômetro mental estava descompassado, mas, mesmo sem ritmo, ele continuava a contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia aquele plástico branco colado em suas narinas, o barbante a machucar-lhe o pescoço. Suas mãos agarravam-se uma à outra num desespero contido. Com determinação e fúria, ele aniquilava-se. Reprimia qualquer força maior de seus instintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a visão já turva, não sabia porque havia acabado de gemer “trinta e quatro”. Precisava de força para resistir. Então, um turbilhão de pensamentos substituiu sua contagem já sem seqüência alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O rancor, o ódio e os tormentos. O isolamento, o nojo e o desprezo. Um ciclo de sensações que nunca acalmaria-se dentro dele.&lt;br /&gt;Incapaz de compreender ou ser compreendido. Aceito ou aceitar. Pertencer ou acolher. Entre ele e o resto havia um hiato sem fim e inalterável. Ele sabia. Ele tentara. E sempre fracassara.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisava da resposta, novamente. Mas nunca obtivera a resposta que esperava. Suas unhas cravadas em seus pulsos, faziam aparecer as primeiras gotas de sangue. Mas ele iria resistir, até onde fosse capaz. E seria capaz, até o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Via os humanos como restos. Como pragas a espalhar-se sobre os tempos. Tinha uma arrogância inflamada, que desprezava em silêncio a pior das arrogâncias dos homens à sua volta. Restos. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Observava sempre os animais, que lhe causavam um tipo profundo de identificação. Logo, ele sentia ódio e inveja da condição puramente instintiva e irracional. Era isso que ele era. Instintivo. Era isso que ele deveria completamente ser. Irracional. Era esse seu fracasso. Limitado num corpo e mente desprezíveis, classificado incondicionalmente como homem, seu tormento não tinha fim.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo entre urros e gemidos desesperados vinham de dentro do saco plástico. As mãos, trêmulas e frenéticas, cravavam mais fundo as unhas, numa tentativa de descontar aquele ímpeto de sobrevivência em alguma coisa que não fosse o saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Via-se como os lobos. Em alguns momentos, tinha aquela certeza espiritual de que era, em essência, um deles. Compreendia-os. Invejava-os. Sentia-se pleno quando os via em algum documentário ou fotografia. Algo batia em seu peito, algo profundo, imenso, grandioso. Quando essa sensação surgia, a única forma de vivê-la, de senti-la plenamente era correndo. Correr para longe, afastar-se de tudo, encontrar-se com si e, talvez, com seus outros, sua espécie. Tentativas para sobreviver-se. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com um par de tênis, jeans velho e uma carteira no bolso, ele se sentia ridículo, enclausurado, patético. Mas, acima de tudo, completamente infeliz.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisava livrar-se de si. Do corpo humano ou do espírito selvagem. Da razão ou do instinto. Ambas, em contradição, eram unas. E a unidade era ele. Um caos cíclico sem trégua ou paz. O saco plástico fazia parte do seu jogo final. Era o embate que travava contra si mesmo, quando não podia suportar mais. Precisava decidir, deixar um dos lados prevalecer. E esse era o teste decisivo. Caído no chão, debatia-se exaustivamente, querendo morrer, querendo viver. Sua mão esquerda agarrou seu rosto por sobre o saco, tentando rasgar e permitir-lhe respirar. A mão direita impedia que isso acontecesse, apertando as narinas e segurando a boca sobre o saco, encerrando qualquer chance do ar atingir-lhe novamente os pulmões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A dualidade ardia e gelava seu eu. O instinto era prisioneiro da racionalidade. Sua razão era de uma lógica própria, longe da lógica humana. Freqüentava livrarias e mijava no jardim. Era um ser cru com revestimento refinado, ou um ser evoluído com algum defeito no processo. Tanto fazia, só tinha vez aquela agonia, aquela angústia, misto de fúria e silêncio que ele carregava consigo. Uma aura de primitividade pulsante. Uma sombra do que não é completamente. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E com aquele semblante pesado e selvagem, com um brilho nos olhos sempre distantes, em busca do “lá”, ele carregou-se por quase quarenta anos. Tropeçando, tentando, sufocando. Rastejando.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre urros agonizantes e gritos abafados, um silêncio tomou conta do local. O corpo, quase extático, mostrava um resto de vida apenas nos espasmos trêmulos que apresentava, jogado ao chão. A vitória ou a derrota, mas, acima de tudo, a resposta, era o que buscava. E ela chegara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Homens e lobos são muito semelhantes, ele pensava. Talvez o ódio dos homens aos lobos seja pelo fato dos humanos verem nos selvagens um reflexo do que são profundamente e, ainda, aquilo que sua condição bípede racional não lhes permite mais ser. O caminho da felicidade não mais alcançável. O verdadeiro paraíso, agora distante demais para ser encontrado. O ódio, para ele, justificava-se pela inveja.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A liberdade, a sociedade, a caçada, a vitória, o ego, a simplicidade. Os homens carregam o instinto dentro de si, aprisionando, negando, revestindo por milhares de anos com roupagens racionais, de uma sociedade que, em decadência, parece-nos em ascensão. Mas o instinto, aquele que vemos nos olhos dos lobos e tememos vê-lo em nossos próprios olhos, este não pode ser eliminado, nunca poderá. É o fogo interior, a fome, o sexo, o ego. É a vida mais profunda que habita todo e qualquer humano. É o arquétipo do “alpha”. É a superação e a sobrevivência. Aquilo que não te deixa morrer. Não se deixa morrer. Não te deixa morrer-se.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo parou de tremer. Um silêncio completo pairava no ambiente. Estirado ao chão, com sangue correndo de seus braços, as mãos que, agarradas ao rosto, disputavam um destino, conquistaram uma resposta. E essa resposta, a mesma de tantas vezes, repetia-se. Fazia parte do ciclo. Uma respiração impulsiva, ofegante, rompeu o silêncio. Pequenos gemidos de uma dor que era só dele ecoaram no cômodo vazio. Ele provara a si mesmo, em todas as vezes, que seu instinto e espírito de sobrevivência era mais profundo do que todo e qualquer véu de racionalidade que ele era obrigado a carregar. E um uivo silencioso ecoou em sua garganta, lembrando-o do que nunca poderá esquecer. Do que nunca deixará de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.ilustração: chris borges.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8252844310019370044-7840678171904029701?l=panoptico-in.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panoptico-in.blogspot.com/feeds/7840678171904029701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8252844310019370044&amp;postID=7840678171904029701&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8252844310019370044/posts/default/7840678171904029701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8252844310019370044/posts/default/7840678171904029701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panoptico-in.blogspot.com/index.html#7840678171904029701' title=''/><author><name>Thalita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06583728934292423107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SmPhSkGMkuI/AAAAAAAAAAg/m9hfXZDVOmg/S220/OgAAAAV0a0QlQ5qQFBfn-lVYpnjLPBUn1DBn9enRyHN_cz4k9pbscylqqMjSxyIechuhGR83FrP9PPIc-UHTp4uF_1YAm1T1UCQwtvgcD1yMLi1xOLdYbBAXVLC8.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/S8JwSyKGA0I/AAAAAAAAAIs/imwmNK-svCM/s72-c/dr.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8252844310019370044.post-8266302112799421089</id><published>2009-12-09T20:32:00.000-08:00</published><updated>2009-12-10T07:40:58.673-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Texto velho, bem velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed height="25" type="audio/mpeg" width="278" src="http://www.esnips.com/nsdoc/40109b35-2926-4450-9baa-9c61037f1970/?action=" loop="false" autoplay="false" controls="TRUE"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SyB6quCLefI/AAAAAAAAAFM/pX8d-IgsCy4/s1600-h/killing+me+killing+you.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 288px; DISPLAY: block; HEIGHT: 264px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413461626429602290" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SyB6quCLefI/AAAAAAAAAFM/pX8d-IgsCy4/s400/killing+me+killing+you.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espectro do espectador que inutilmente presencia, sem intervenção qualquer, a queda e a frágil expressão do sentir-se perdido. Observa silenciosamente a absurda apresentação de cores e formas sem lógica sócio-visual. Humanidade. Ausência de sentido, onde tudo o mais se traduz em sensitividades inexpressivas ao Indiferente. Atenta-se às curiosidades sem destas absorver as essências. Analisa milimetricamente o horizonte inalcançável, sem recepção de peculiaridades específicas deste. Inanimado, o horizonte capturado no ‘um momento’. Inanimado, o Indiferente o captura. Num momento. Microcosmo em flerte com seu referencial maior. Visão cinza sobre representações formais e cromáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espectador sem expectativa.&lt;br /&gt;A não-expectativa do espectro.&lt;br /&gt;O espectro em si. De si. Uno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Macrocosmo em flerte com seu referencial menor. Representação cinza para o olhar ausente.&lt;br /&gt;Espectro, o Indiferente, mas ainda, não-expectante. Ainda, em indiferença. Permanece. Perpetua. O momento. O horizonte. A ausência. O reflexo. Perpetuando o vácuo deste flerte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ego não exposto, nulo. Passividade da visão contemplativa que não vê. Não sente. Não espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impessoalidade do mental ao material. Imparcialidade do inconsciente ao sobrevivente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indiferente, o espectador em seu espectro compreende-Se: a terceira pessoa de mim. O eu-ausente. O eu-não-eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observa-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. ilustração: Chris Borges&lt;br /&gt;. música: Planetary Confinement - Antimatter&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8252844310019370044-8266302112799421089?l=panoptico-in.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panoptico-in.blogspot.com/feeds/8266302112799421089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8252844310019370044&amp;postID=8266302112799421089&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8252844310019370044/posts/default/8266302112799421089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8252844310019370044/posts/default/8266302112799421089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panoptico-in.blogspot.com/index.html#8266302112799421089' title=''/><author><name>Thalita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06583728934292423107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SmPhSkGMkuI/AAAAAAAAAAg/m9hfXZDVOmg/S220/OgAAAAV0a0QlQ5qQFBfn-lVYpnjLPBUn1DBn9enRyHN_cz4k9pbscylqqMjSxyIechuhGR83FrP9PPIc-UHTp4uF_1YAm1T1UCQwtvgcD1yMLi1xOLdYbBAXVLC8.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SyB6quCLefI/AAAAAAAAAFM/pX8d-IgsCy4/s72-c/killing+me+killing+you.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8252844310019370044.post-8500102360885801725</id><published>2009-09-27T21:55:00.000-07:00</published><updated>2009-09-29T16:15:34.887-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Esse post resultou de mais uma brincadeira/treino com ilustras do Chris. Gostamos bastante do texto e da ilustração, que acabaram gerando boas idéias para um futuro próximo :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed height="25" type="audio/mpeg" width="278" src="http://www.esnips.com/nsdoc/43318680-6b86-49a4-bb1e-97ee1e526896/?action=" loop="false" autoplay="false" controls="TRUE"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SsKT-1Jc-aI/AAAAAAAAAFE/776fLDqzmCc/s1600-h/RahktahP%C3%BCllgja+copy+c%C3%B3pia.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 261px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5387030811916433826" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SsKT-1Jc-aI/AAAAAAAAAFE/776fLDqzmCc/s400/RahktahP%C3%BCllgja+copy+c%C3%B3pia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. Ratapulga&lt;/p&gt;&lt;p&gt;. ilustração: Chris Borges&lt;/p&gt;&lt;p&gt;. música: Righ´ Beern - Bran Barr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8252844310019370044-8500102360885801725?l=panoptico-in.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panoptico-in.blogspot.com/feeds/8500102360885801725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8252844310019370044&amp;postID=8500102360885801725&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8252844310019370044/posts/default/8500102360885801725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8252844310019370044/posts/default/8500102360885801725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panoptico-in.blogspot.com/index.html#8500102360885801725' title=''/><author><name>Thalita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06583728934292423107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SmPhSkGMkuI/AAAAAAAAAAg/m9hfXZDVOmg/S220/OgAAAAV0a0QlQ5qQFBfn-lVYpnjLPBUn1DBn9enRyHN_cz4k9pbscylqqMjSxyIechuhGR83FrP9PPIc-UHTp4uF_1YAm1T1UCQwtvgcD1yMLi1xOLdYbBAXVLC8.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SsKT-1Jc-aI/AAAAAAAAAFE/776fLDqzmCc/s72-c/RahktahP%C3%BCllgja+copy+c%C3%B3pia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8252844310019370044.post-1760948733349442259</id><published>2009-08-09T14:50:00.000-07:00</published><updated>2009-08-09T16:04:37.175-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Chris fez este desenho e pediu para eu escrever um texto pequeno sobre ele, qualquer coisa. Tem um clima tão legal o desenho que foi fácil. Tentei dar continuidade nessa estorinha, mas é um tanto complicado escrever algo mais infantil. Mas estou treinando. E tentando. : )&lt;br /&gt;Espero que essa tenha ficado legal, apesar de meio triste.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/Sn9FIQZNZGI/AAAAAAAAAEQ/Go2ayjbh2Wo/s1600-h/abertura.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368085288990893154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 291px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/Sn9FIQZNZGI/AAAAAAAAAEQ/Go2ayjbh2Wo/s400/abertura.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.esnips.com/nsdoc/78a4ca04-1989-4cb1-8c67-13b4b73a3044/?action=" width="278" height="25" type="audio/mpeg" loop="false" autoplay="false" controls="TRUE"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já se vão muitos meses. Manhã após manhã, por vezes tardes que trazem noites, venho e espero. Espero por um ponto no horizonte, um movimento diferente sobre as águas, um som ou sinal ao longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes dias frios de outono, caminhando sobre a neve que descansa sobre a velha areia, eu imagino uma garrafa selada, flutuando e chegando através das ondas, trazendo-me um bilhete. Bilhete ou mesmo presente, exatamente como gostávamos de brincar antes deles partirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro das tardes de primavera que, apesar do calor, o sol parecia fraquinho e distante. Eu e Derick passávamos horas na areia da praia, construindo castelos e estórias de tempos antigos. Em nossas aventuras sempre haviam as garrafas. Derick corria até o mar e soltava uma garrafa numa das pequenas ondas, com um papel de saco de pão dentro, imitando pergaminhos antigos. Com sua letra torta e tremida, o bilhete era um portal para nossa fantasia e, principalmente, para nossa diversão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garrafas que flutuavam até os pequenos castelos de areia eram a alegria que tornavam os dias cheios e, até então, eu não conhecia a solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Derick partiu com seu pai neste mar para uma longa viagem. Acho que, antes disso, eu não sabia realmente o que era algo “longo”. Mas hoje entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes longos meses, o velho farol tem sido minha companhia. Um silencioso e imóvel amigo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;. ilustração: Chris Borges&lt;br /&gt;. música: Korn - Forseti&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8252844310019370044-1760948733349442259?l=panoptico-in.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panoptico-in.blogspot.com/feeds/1760948733349442259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8252844310019370044&amp;postID=1760948733349442259&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8252844310019370044/posts/default/1760948733349442259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8252844310019370044/posts/default/1760948733349442259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panoptico-in.blogspot.com/index.html#1760948733349442259' title=''/><author><name>Thalita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06583728934292423107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SmPhSkGMkuI/AAAAAAAAAAg/m9hfXZDVOmg/S220/OgAAAAV0a0QlQ5qQFBfn-lVYpnjLPBUn1DBn9enRyHN_cz4k9pbscylqqMjSxyIechuhGR83FrP9PPIc-UHTp4uF_1YAm1T1UCQwtvgcD1yMLi1xOLdYbBAXVLC8.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/Sn9FIQZNZGI/AAAAAAAAAEQ/Go2ayjbh2Wo/s72-c/abertura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8252844310019370044.post-1785532092780518595</id><published>2009-07-19T23:40:00.000-07:00</published><updated>2009-07-24T11:19:34.178-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SmnyuSP3sNI/AAAAAAAAADI/cnpNNh2RESk/s1600-h/th01+copy(1).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362083708347592914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 67px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SmnyuSP3sNI/AAAAAAAAADI/cnpNNh2RESk/s400/th01+copy(1).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br/&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.esnips.com/nsdoc/7f132eb0-8396-4691-98a2-4df1351d0cf5/?action=forceDL" width="278" height="25" type="audio/mpeg" controls="TRUE" autoplay="false" loop="false"&gt; &lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br/&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Risperidona 3mg pela manhã, fluoxetina 20mg logo em seguida, olazanpina 10mg e diazepan 5mg pela noite. Essa era a nova receita, a nova tentativa dele para Lúcia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No consultório, perguntou-lhe se teve alguma melhora. Ela disse que estava conseguindo controlar o pânico e dizer para si mesma que era apenas aquela alucinação novamente. O médico incentivava a continuar ignorando as visões, que os remédios dariam conta de controlar a esquizofrenia de Lúcia. &lt;em&gt;Á terre&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando se levantou, o doutor brincou com a mulher:&lt;br /&gt;- Mas justo lixeiros! Coitados. Seus pais podiam ter continuado te aterrorizando com a Cuca, o Boi ou o que fosse! Olha só no que deu. Mantenha-se calma, Lúcia, você está progredindo no tratamento. Qualquer coisa, venha ao consultório. E continue com seu trabalho no ballet, com as apresentações. Pode não acreditar, mas é o que mais te prende e ajuda no tratamento. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Lúcia havia estudado ballet desde quando se lembra. Influência do pai, velho violinista fracassado, apaixonado por artes clássicas. Ele foi o responsável pela carreira da filha e, também, por seus atuais delírios. Aquelas coisas: “come senão o lixeiro vai te pegar”, “vai estudar senão o gari vai te levar com ele”. Ela se lembra que, em sua cidade natal, contavam estórias um tanto de mau-gosto envolvendo os pobres personagens. Isso ficou na cabeça de Lúcia. E, aos seus 36 anos, a coisa se descontrolou e aqui temos ela: psiquiatramente taxada de esquizofrênica, socialmente de retardada. Intimamente, ela não sabe mais dizer. Só sabe se controlar. Ingerir miligramas. Ensaiar, contar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;-E um, e dois, e três e vira. E um, e dois, e três, e roda. Um, dois, três, pula. E um, e dois, e três. E quatro e cinco. E seis. Sete. Sumam. Oito. Não. Nove. Chega. Dez. Parem! Controle-se, controle-se, controle-se!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/Smnyu-fv1_I/AAAAAAAAADQ/qB2hUI4VnLA/s1600-h/th2+copy.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362083720225347570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 66px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/Smnyu-fv1_I/AAAAAAAAADQ/qB2hUI4VnLA/s400/th2+copy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O metrô. Ela entra, senta e continua sua tática de fazer lixeiros sumirem. Olazanpina. Em cada estação que o metrô passa, Lúcia procura em meio aos tons de cinza aquele laranja gritante, esse maldito tom que lhe toma a sanidade. Mais 10mg. &lt;em&gt;Brisé&lt;/em&gt;. Pior que isso, apenas o som típico do caminhão, passando lentamente pelas ruas, aquele som enlouquecedor. Um eco do seu pesadelo repetitivo. Com ou sem fluoxetina, vodca ou Mozart, o pesadelo se repete.&lt;br /&gt;Estação Paraíso, que o nome não caracteriza em nada. Ela precisa descer. Antes, um olhar para as pessoas. Laranja. O coração dispara. Diazepan. Acalma-se ao identificar um emo imbecil e colorido indevidamente. Desce. Sobe, rapidamente. E um, e dois e três e quatro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As luzes noturnas da insuportável cidade... Ainda assim, melhor com do que sem elas, pensa Lúcia, com seu costumeiro desgosto por tudo. Principalmente por cidades e pessoas. Não era pânico ou medo, como dos lixeiros. Era um nojo intenso, já no limite do desprezo. Era tão intenso isso dentro dela, que nem seu maior medo não a faz preferir uma companhia para se andar pelas ruas. Ela prefere encontrar um lixeiro e estar sozinha, do que ter que agüentar uma conversa idiota com alguém mais idiota a ponto de gerá-la. Segundo o médico, isso era um dos sintomas do seu distúrbio. Segundo ela, não. Ela poderia enumerar um sem-fim de motivos e pontos concretos que justificam sua distância para com todo o resto. Claro, tudo isso com sua única exceção: o ballet. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O ballet e o palco a mantinham sã. O palco, distante o suficiente das outras pessoas, era capaz de tirar delas a única coisa de útil que poderiam fazer: aplaudir. Sacos de lixo patéticos e sorridentes, sentados em poltronas fedorentas, aplaudindo a apresentação daquela que mais lhes tinha desprezo. Mas aplaudiam, ah, isso faziam muito bem. Bastava. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Paraíso. Brigadeiro. Trianon. Consolação. E por aí vai. Até chegar. Olhar. Descer. Subir. Andar (rapidamente, beirando a corrida) e chegar. &lt;em&gt;Echappé&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Uma pequena casa nos fundos de outra que é pouca coisa maior, numa velha rua de um bairro qualquer. Silencioso, pelo menos. Abre a porta e fecha rapidamente. Respira fundo, controla-se. Lúcia sabe que, seja lá porque, é melhor se controlar, senão as alucinações ficam cada vez mais reais. Olazanpina 10 com diazepan 5. Sabe também que essa noite vai dormir, e que terá novamente o pesadelo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SmnyvDB6OGI/AAAAAAAAADY/jHDf1BbRr5M/s1600-h/th3+copy.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362083721442375778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 66px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SmnyvDB6OGI/AAAAAAAAADY/jHDf1BbRr5M/s400/th3+copy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em seu pesadelo, ela vê humanos-sacos-de-lixo andando pela Paulista, caminhando em pequenas multidões até sua rua, e sentando todos em sua calçada, ao redor da lixeira. Alguns tocam pequenos tambores, outros riem histericamente, a maioria apenas anda. Todos aguardam, ansiosamente, a vinda do caminhão. O som do veículo aparece, aumenta, encurtando a distância entre eles. Normalmente, nesse momento do pesadelo, o corpo de Lúcia está bastante molhado na cama, e começa a sentir frio. No pesadelo, os lixos-humanos estão felizes. Talvez pensem em reciclagem, em recomeço, ou simplesmente no fim. Lúcia treme com o som do caminhão, aquele ruído alto, lento, sujo, que parece estraçalhar os limites de sua frágil sanidade. Uma infinidade de homens-laranja, de luvas e máscaras, descem do caminhão. Um deles, o mesmo de sempre, o mesmo de cada sonho, o mesmo que ela vê a cada duas noites, pega algo no bolso e vai até sua janela. Bate. Ela chora, grita. As mãos com luvas encardidas lhe estendem um porta-jóias. &lt;em&gt;Sissone&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eis o insistente pesadelo de Lúcia. Ainda tem o pesadelo real, o caminhão de coleta que passa a cada dois dias às duas da madrugada, ou por volta disso. Lúcia opta por colocar o lixo para fora no máximo até meia-noite e meia. Mais que isso, ela não ousa. Nem sob doses extras de seus escapes em comprimidos ou em garrafas Absoluts. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na noite passada Lúcia testou-se. Na janela, ela esperou, acordada. E então ele veio. Ela o escutou a dois quarteirões dali. E escutou ele chegando. No seu bairro, o serviço era feito por dois ou três homens no caminhão. Ela, no escuro de sua casa, observava. Respirava fundo, contava até quanto fosse preciso, e se controlava. Viu o caminhão se aproximar, diminuir a já lenta velocidade, esperar os homens jogarem alguns sacos dentro dele e seguir. O homem que pegou seus resíduos lançou um calmo olhar em direção à janelinha no fundo do corredor da casa. Lúcia estava em pânico. Eles seguiram com seu trabalho. Lúcia, com seus calmantes. &lt;em&gt;C´est la vie. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;em&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se alguém pudesse encontrar Lúcia hoje, o que não é mais possível, e tentasse lhe tirar os monstros, seria perda de tempo. Havia toda uma lógica, que era real, intensa e interna, que Lúcia não poderia abandonar. &lt;em&gt;Emboité&lt;/em&gt;. Um misto de sexto-sentido com trauma de infância. Ou destino, que também pode ser usado nesse caso. E assim eram os dias. Risperidona com fluoxetina. As noites. Diazepan e olazanpina. Meses. E um. E dois. E três e não passa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Numa noite, uma qualquer, mas a última, que ainda não era madrugada, ainda não eram duas horas, Lúcia foi levar seus lixos. Pegou suas duas sacolas e levou-as para a lixeira. Sacos de lixo, semelhantes a sacos-de-lixo-pessoas. Ela não os viu, apenas isso pode ser dito, sem justificativas ou interpretações. Apenas não os viu. Nem esperaria os ver, cedo ainda que era a noite. No portão encontraram-se. Dois silenciosos vultos laranjas, o caminhão desligado. Lúcia, em braços laranjas, foi lançada como um saco na caçamba. O caminhão ligou, começou a funcionar. &lt;em&gt;Adagio&lt;/em&gt;. Os sacos começaram a rodar e serem prensados. Lúcia, paralisada, entendia. Ela era a bailarina de um porta-jóias rústico que parecia estar tombado. Um porta-jóias que fedia a mundo e girava lentamente. Lúcia sentiu suas lembranças serem esmagadas, enquanto ela, em sua mais real apresentação de ballet, rodopiava com uma melodia ruidosa e mecânica. Seria John Cage? – pensou ela, antes de sumir para dentro de um container escuro. Sem luzes, não se podia ver nada. Mas, se pudessemos ver o interior do container naquele momento, veríamos uma bailarina enquadrada pelos restos de legumes podres de alguma lanchonete coreana. Ainda que não se possa ver no escuro, é de nosso conhecimento que talvez o pesadelo não fosse apenas de Lúcia, dada a quantidade de pés, mãos e partes encontradas entre os dejetos ensacados do mundo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/Smnyvpry6HI/AAAAAAAAADg/BNS5AzsgFiA/s1600-h/th4+copy.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362083731818604658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 66px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/Smnyvpry6HI/AAAAAAAAADg/BNS5AzsgFiA/s400/th4+copy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;.Broyage: ballet du répertoire.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;. ilustrações: Chris Borges.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;. música: The Hanging Garden - The Cure.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8252844310019370044-1785532092780518595?l=panoptico-in.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panoptico-in.blogspot.com/feeds/1785532092780518595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8252844310019370044&amp;postID=1785532092780518595&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8252844310019370044/posts/default/1785532092780518595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8252844310019370044/posts/default/1785532092780518595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panoptico-in.blogspot.com/index.html#1785532092780518595' title=''/><author><name>Thalita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06583728934292423107</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SmPhSkGMkuI/AAAAAAAAAAg/m9hfXZDVOmg/S220/OgAAAAV0a0QlQ5qQFBfn-lVYpnjLPBUn1DBn9enRyHN_cz4k9pbscylqqMjSxyIechuhGR83FrP9PPIc-UHTp4uF_1YAm1T1UCQwtvgcD1yMLi1xOLdYbBAXVLC8.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IEnCVVPXj_s/SmnyuSP3sNI/AAAAAAAAADI/cnpNNh2RESk/s72-c/th01+copy(1).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry></feed>
